quinta-feira, 8 de setembro de 2011


Porque tem muita gente querendo um amor perfeito e eu só quero um telefonema numa tarde de domingo perguntando se eu dormi bem. Eu quero um sussurrar ao pé d’ouvido quando eu clamar por amor embaixo dos lençóis. Eu não quero nome e telefone do moço que conheci na feira de livros, eu quero contar as estrelas e entrelaçar os dedos meus nos dedos do homem que saiba ser menino e aprenda com os erros da vida que errar é o primeiro passo para não perfeito ser: e que ele, este homem-menino-amor, que ele não queira a perfeição. Porque eu sou teimosia, carência e hedonismo e não quero viver a prisão de um amor infinito. Eu quero a certeza de um rock no acordar de uma quarta-feira no dormir da nossa aflição ao tocar dos lábios meus no corpo seu e a calma de uma Bossa Nova “que você não liga se é usada” na lira silente do cego amor que ainda não me encontrou. Que eu, dessa vil tristeza da falta que faz o amor, eu nunca quis e continuo a não querer um amor de realeza. Eu gosto mais das coisas pela metade, do Romeu e Julieta sem morte e da simplicidade que é necessária para plantar uma rosa na terra macia do jardim que flutua sobre a minha vontade de morar numa casa. Porque eu quero esquecer que um dia quis uma casa: eu quero um amor sem nojo nem medo, eu quero uma voz rouca tentando cantar ópera e rindo de si mesmo, eu quero ouvir a ‘nona sinfonia de Beethoven’ sem precisar sair de casa. Eu quero um professor de filosofia como marido, mas não quero casar e nem aprender filosofia: eu quero distância dessa vida exata que é a matemática diária de somar as minhas infelicidades. Eu quero alguém que me mostre que talvez eu esteja “querendo” demais. Eu quero uma aula diária de vida no abraço matinal e no beijo de despedida ao trabalho: eu quero um aconchego, um “chega pra cá”, um alguém que me ensine que para se tornar uma borboleta, não é só necessário o casulo: é preciso, principalmente, sobreviver aos perigos da liberdade. :/

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